Ela abre o e-mail. Nenhuma mensagem nova.
Corre para o celular que está distante por falta de bateria. Nenhuma nova mensagem nos aplicativos. Nenhum SMS.
Ela não checa freneticamente as plataformas porque dessa vez as coisas acontecem diferente. Não em ritmo lento, nem em descompasso. Apenas no tempo certo. Aquele tempo que permite viver as coisas com uma certa calma.
Nenhuma mensagem. E nenhuma angústia. Talvez um pouco de saudade.
Finalmente, ela aprendeu a esperar. Finalmente não foi atropelada pela ansiedade. Finalmente fez a aposta certa e ganhou, pelo menos até o momento.
Ela abre o e-mail. Nenhuma mensagem nova. Fecha a caixa de entrada. Desliga. Vai ler um livro e sonhar.
Em 20/12/2015 caminhando calmamente ao sabor do vento.
domingo, 20 de dezembro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Carta para você que é feito de azul
Eu estou ouvindo "Só tinha que ser com você", na versão da
Fernanda Porto, porque só tinha que ser com você porque você é feito de azul e
eu quero morar nesse azul.
Ouço a música enquanto leio sobre afunilamentos e mudanças
de critérios. Sorrio porque a música já foi tema de outro romance mas, de
verdade, devia ser só para você . Porque você é feito de azul.
De longe, eu admiro os seus 50 tons de azul e o modo como
você me parece calmo e revolto, ao mesmo tempo. E penso no modo como o seu
olhar enxerga a amplitude nos detalhes. E desenho roteiros e romances nos quais
você é meu protagonista.
É meio tarde para o platonismo, eu sei. Mas quem liga?
Quem disse que impedido de sonhar enquanto tenta pintar de
cores suaves a realidade?
Eu quero mais é me jogar nessa imensidão de azul. E ficar. E
acalmar e seguir uma existência cheia de poesia e calma.
Em 16/10/2015 querendo morar nesse azul, querendo
encontrar minha paz.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Sobre o amor e a física quântica
queria falar sobre física quântica, ou mecânica quântica (segundo o óraculo de Delphos chamado Google pode ser a mesma coisa), mas eu não tenho autonomia para falar sobre. É que me disseram que se a gente desejasse algo profunda e honestamente, mexeríamos os átomos ou quarks ou sei lá quem de modo que esse desejo estaria sendo realizado de alguma maneira. Mas é claro que eu não consigo falar sobre e isso e é claro que minha pesquisa acabou me levando para o Segredo e para a lei de atração, mas não era isso que eu queria dizer.
É verdade que eu tenho me sentido uma adolescente desde que vi aquele cara pela primeira vez. Resumidamente, minha vida poderia ser descrita como tremor e brilho nos olhos, sabe? Tremor, brilho nos olhos e uma série de joguinhos adolescentes e pueris para saber se a gente, afinal, combina.
Honestamente, eu nunca quis combinar com alguém. E aqueles matchs dos aplicativos servem bem mais para ajudar a resgatar a auto-estima do que para encontrar alguém de verdade.
E eu achei você no mundo real. Em carne, osso, tênis e camisa de malha puída na gola. E lindo.
E eu falei da física quântica, da mecânica quântica, do Segredo e da Lei da Atração porque eu queria que tudo que eu imagino, tudo que eu desejo secretamente, acontecessem nem que fosse na dimensão dos quarks.
Eu queria, muito, intensamente, que fosse verdade, de alguma maneira. E que você se sentisse tocado. E que se materializasse ao meu lado.
Em 07/07/2015 praticando o segredo da lei da atração e me sentindo tola.
sábado, 20 de junho de 2015
Por uma fermata* na existência
Eu sei que a vida anda dura demais.
Porque existir é difícil e não faz muito sentido. E existir nesse Brasil, que se afoga na onda conservadora e que varre para bem longe a capacidade de uns se colocarem no lugar dos outros, é ainda mais pesado.
Eu sei.
E entendo que não podemos parar por completo porque corremos o risco de retroceder mais do que já retrocedemos. No entanto, eu acho que a gente precisa de pausa, de respiro.
Porque, apesar da dureza, o Brasil é tão rico e a gente precisa lutar tanto para fazer o país justo que acaba esquecendo de viver a arte e a poesia.
De ver a flor, enquanto a carne sangra no espinho.
Uma pausa.
Um respiro, entre rolas e Malafaias.
Contemplar o belo e beleza. Sentir o lirismo.
Porque não precisar ser dor o tempo todo. Pode ser desejo. E pode ser fuga e deve ser fuga porque viver precisa ser suportável.
Eu sei que estamos em guerra, mas a vida não precisa ser trincheira o tempo todo.
Pode e deve ser pausa e contemplação.
Não é sempre. É só hoje. Porque todos nós merecemos um dia bonito, mesmo que o céu esteja cinza.
Merecemos poesia. Palavras. Ternura. Mesmo que seja por um momento.
Então, pare. E olhe a flor. E leia o poema. Compartilhe a música ou cena do filme.
Então, pare. Olhe e diga que me ama.
* Fermata, também conhecida por Suspensão em italiano, significa parada.
Em 20/06/2015 dando uma pausa para contemplar.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Atualizando...
O intervalo era curto. Menos de segundo era o tempo que demorava para que ela apertasse o botão F5 do computador. Atualizava a página com tanta velocidade. Aguardava ali a resposta da vida. O bilhete premiado. A sorte que alteraria o curso da sua jornada.
E ela apertava. A caixa de entrada, mal carregava e já era atualizada de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
Ela não cansava. Aguardava ansiosa aquela mensagem que seria a resposta da vida. O bilhete premiado. A sorte que alteraria o curso da sua jornada.
Esperava em vão.
Não trocou e-mail.
Era impossível acreditar que ele escreveria, despretensiosamente, porque a urgência que ela sentia era também a urgência que ele sentia.
Nenhum google para buscar aquela informaçãozinha que não era foco da conversa.
Mais uma vez atualizar.
Acabou a luz. Acabou a energia da bateria. Era preciso esperar. Ela esperou, mas não sem sonhar acordada. Dormiu e, no dia seguinte, a vida seguiu o curso planejado. O e-mail não chegou. Mas ela está curada.
Em 09/06/2015 apertando desesperadamente o F5 da vida para que existência seja atualizada.
E ela apertava. A caixa de entrada, mal carregava e já era atualizada de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
Ela não cansava. Aguardava ansiosa aquela mensagem que seria a resposta da vida. O bilhete premiado. A sorte que alteraria o curso da sua jornada.
Esperava em vão.
Não trocou e-mail.
Era impossível acreditar que ele escreveria, despretensiosamente, porque a urgência que ela sentia era também a urgência que ele sentia.
Nenhum google para buscar aquela informaçãozinha que não era foco da conversa.
Mais uma vez atualizar.
Acabou a luz. Acabou a energia da bateria. Era preciso esperar. Ela esperou, mas não sem sonhar acordada. Dormiu e, no dia seguinte, a vida seguiu o curso planejado. O e-mail não chegou. Mas ela está curada.
Em 09/06/2015 apertando desesperadamente o F5 da vida para que existência seja atualizada.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Ficação > Realidade
Perdi o juízo!!!!!
Perdi mesmo o juízo!!!
Perdi o juízo quando decidi que, tudo bem, eu poderia me apaixonar platonicamente por ele.
E fui.
Mas paixão platônica não se concretiza. Fica ali, no campo das ideias, onde não se toca, apenas se sente. E eu sinto.Sinto um desejo inexplicável, incomparável. Intraduzível.
Sinto. Apenas
Sinto, mas tenho muita fé na nossa senhora da bicicletinha - aquela que dá equilíbrio - que isso passa.
Passa. Sempre passa.
Não é bom criar histórias?
Porque a gente cria o personagem. Cria sim. Porque eu sequer conheço ele direito. E tenho apenas a minha ideia daquela criatura que é doce e gentil e fala o tempo todo de poesia.
E eu te inventei. E inventei uma história todinha juntos. Juntos. Sem desacertos. Sem contratempos. Porque nos romances do mundo real só tem desacertos e contratempos. E eu quero um romance que caminhe no ritmo certo. O ritmo que vai permitir encontros e não desencontros e eu não serei a menina que calhou de existir na vida das pessoas cedo demais ou tarde demais. No meu caso, sempre tarde demais.
E eu vejo os toques.
As palavras doces.
A parceria e o andar sem roupa de manhã enquanto a gente acorda e você toca meus seios enquanto eu faço café e sorrio só porque você está ali e existe comigo.
E eu sorrio no mundo real.
Porque nós temos a imaginação e o sonho que nos tiram da aspereza e desse deserto emocional que é a realidade.
Sorrio porque no mundo real o mundo das coisas e das pessoas imaginadas é sempre tão incrível e coisas boas acontecem o tempo todo.
E eu estou com você.
E você está comigo. E não tem medo. Insegurança. Desencontro. Descompasso. Só você e eu e nossa linda história inventada.
O meu não príncipe, porque você não é perfeito e tem aquela barriga e rugas e a gente lê tudo ali. Lê vida. Lê intensidade. Lê delicadeza e, sobretudo, lê poesia.
Uma pena que passa.
Em 26/05/2015 vivendo uma história milimetricamente inventada.
Perdi mesmo o juízo!!!
Perdi o juízo quando decidi que, tudo bem, eu poderia me apaixonar platonicamente por ele.
E fui.
Mas paixão platônica não se concretiza. Fica ali, no campo das ideias, onde não se toca, apenas se sente. E eu sinto.Sinto um desejo inexplicável, incomparável. Intraduzível.
Sinto. Apenas
Sinto, mas tenho muita fé na nossa senhora da bicicletinha - aquela que dá equilíbrio - que isso passa.
Passa. Sempre passa.
Não é bom criar histórias?
Porque a gente cria o personagem. Cria sim. Porque eu sequer conheço ele direito. E tenho apenas a minha ideia daquela criatura que é doce e gentil e fala o tempo todo de poesia.
E eu te inventei. E inventei uma história todinha juntos. Juntos. Sem desacertos. Sem contratempos. Porque nos romances do mundo real só tem desacertos e contratempos. E eu quero um romance que caminhe no ritmo certo. O ritmo que vai permitir encontros e não desencontros e eu não serei a menina que calhou de existir na vida das pessoas cedo demais ou tarde demais. No meu caso, sempre tarde demais.
E eu vejo os toques.
As palavras doces.
A parceria e o andar sem roupa de manhã enquanto a gente acorda e você toca meus seios enquanto eu faço café e sorrio só porque você está ali e existe comigo.
E eu sorrio no mundo real.
Porque nós temos a imaginação e o sonho que nos tiram da aspereza e desse deserto emocional que é a realidade.
Sorrio porque no mundo real o mundo das coisas e das pessoas imaginadas é sempre tão incrível e coisas boas acontecem o tempo todo.
E eu estou com você.
E você está comigo. E não tem medo. Insegurança. Desencontro. Descompasso. Só você e eu e nossa linda história inventada.
O meu não príncipe, porque você não é perfeito e tem aquela barriga e rugas e a gente lê tudo ali. Lê vida. Lê intensidade. Lê delicadeza e, sobretudo, lê poesia.
Uma pena que passa.
Em 26/05/2015 vivendo uma história milimetricamente inventada.
domingo, 17 de maio de 2015
Eu não gosto de dias nublados
Falta um mês para o inverno. Mas os dias já estão ficando mais frios.
Falta um mês para o inverno, mas a melancolia que chega quando março cerra as portas com seu anoitecer precoce acaba por se instalar.
Para o diabo com essa ideia de que ficamos mais elegantes com o frio.
Para o diabo com os fundies e o vinho e esse pretenso romantismo.
Eu odeio frio. Odeio muitas roupas e confesso que só de um ano para cá dormir em temperaturas amenas se tornou uma coisa prazerosa para mim. Deve ser porque eu passei a dormir de fato. Eu não dormia e tinha noites que eu não dormia porque o frio não deixava.
Eu não gosto do frio. Eu não gosto porque demora a amanhecer. Mesmo que os dias sejam de céu claro e sol. A noite chega mais cedo e é como se empurrasse para dentro de casa, a caverna da contemporaneidade.
Eu gosto do verão e dos seus dias longos. Das noites curtas. Do calor, do clima e das cores.
Ainda não são 6 da tarde e a noite já se anuncia, timidamente fria.
O clima que acentua a solidão. E faz do estar só uma coisa triste porque a gente quer é um pé para aquecer a gente. A gente quer um pé muito mais do que um chá que é doce e perfuma a casa.
Ainda bem que passa!
Porque a vida é ciclo.
Em 17/05/2015 olhando para o relógio biológico da natureza.
Falta um mês para o inverno, mas a melancolia que chega quando março cerra as portas com seu anoitecer precoce acaba por se instalar.
Para o diabo com essa ideia de que ficamos mais elegantes com o frio.
Para o diabo com os fundies e o vinho e esse pretenso romantismo.
Eu odeio frio. Odeio muitas roupas e confesso que só de um ano para cá dormir em temperaturas amenas se tornou uma coisa prazerosa para mim. Deve ser porque eu passei a dormir de fato. Eu não dormia e tinha noites que eu não dormia porque o frio não deixava.
Eu não gosto do frio. Eu não gosto porque demora a amanhecer. Mesmo que os dias sejam de céu claro e sol. A noite chega mais cedo e é como se empurrasse para dentro de casa, a caverna da contemporaneidade.
Eu gosto do verão e dos seus dias longos. Das noites curtas. Do calor, do clima e das cores.
Ainda não são 6 da tarde e a noite já se anuncia, timidamente fria.
O clima que acentua a solidão. E faz do estar só uma coisa triste porque a gente quer é um pé para aquecer a gente. A gente quer um pé muito mais do que um chá que é doce e perfuma a casa.
Ainda bem que passa!
Porque a vida é ciclo.
Em 17/05/2015 olhando para o relógio biológico da natureza.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Lambendo as palavras espero...
Era tudo seco. E era tudo folha em branco. E era daquela tristeza não da vida dura e pobre, mas daquela onde havia excesso de falta, fartura de nada. Não havia choque. Não havia encantamento. Não havia frenesi ou urgência. Só quietude e vazio.
Então, ela abriu a porta para aquele espaço que retinha e guardava coisas velhas. Fatos. Histórias. Memórias. E era como se um mundo novo se abrisse.
A linha reta, que na medicina indicava o fim de tudo, de repente, começou a oscilar. Altos e baixos ditavam o ritmo novamente. Havia vida. Havia paixão.
Ela não soube dizer como começou.
Onde teria tropeçado naquele fio desencapado dentro da poça de água?
Onde aconteceu o choque?
Não sabia. Sabia apenas que recebeu descarga suficiente para voltar a pulsar outra vez.
Encantava-se com o bom trato com as palavras e a lapidação despretensiosa que trazia novos sentidos e novas significações. Imaginava aquela língua que sorvia o verbete, lambendo seu corpo. Ansiava pela destreza com a qual ele contava histórias se manifestasse no modo como a mão deslizaria por seu corpo nu.
O ritmo.
O som.
Os ruídos.
A luz acesa e o fim da história!
Em 14/05/2015 lambendo as palavras enquanto espera.
Então, ela abriu a porta para aquele espaço que retinha e guardava coisas velhas. Fatos. Histórias. Memórias. E era como se um mundo novo se abrisse.
A linha reta, que na medicina indicava o fim de tudo, de repente, começou a oscilar. Altos e baixos ditavam o ritmo novamente. Havia vida. Havia paixão.
Ela não soube dizer como começou.
Onde teria tropeçado naquele fio desencapado dentro da poça de água?
Onde aconteceu o choque?
Não sabia. Sabia apenas que recebeu descarga suficiente para voltar a pulsar outra vez.
Encantava-se com o bom trato com as palavras e a lapidação despretensiosa que trazia novos sentidos e novas significações. Imaginava aquela língua que sorvia o verbete, lambendo seu corpo. Ansiava pela destreza com a qual ele contava histórias se manifestasse no modo como a mão deslizaria por seu corpo nu.
O ritmo.
O som.
Os ruídos.
A luz acesa e o fim da história!
Em 14/05/2015 lambendo as palavras enquanto espera.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Sobre os padrões repetitivos e a verdade
Eu julgava que não te conhecia.
O resultado desse julgamento foi baseado na minha variável falha de considerar apenas a superficialidade das relações.
E quando eu vi você repetindo padrões, concluí que, talvez, não fosse mentira aquilo tudo. Ou talvez fosse uma realidade pintada com cores fortes e olhadas através de uma lupa para que parecesse maior do que realmente foi.
Será que fui injusta?
Será que foi imortal posto que era chama e foi infinito enquanto durou?
Eu não sei.
Essa é a desvantagem das relações desenvolvidas prioritariamente no mundo virtual, com cavalares doses de trocas de mensagens e pouco olho no olho.
Eu desconfio sempre. Jornalistas desconfiam sempre.
Mas eu fico pensando nos padrões repetitivos e que, talvez, você tenha dito a verdade.
Agora é tarde!
Agora é muito tarde!
Agora é tarde!
Agora é tão tarde que eu sinto uma saudade louca e que me sufoca.
E tem o orgulho besta que me paralisa.
Paralisa e impede que eu diga, novamente, que eu sinto saudade.
Que eu quero você por perto.
Que eu quero ouvir a voz.
Que eu quero companhia e presença.
O resto do desejo a gente sufoca porque faz parte do ser racional, real, maduro.
Apareça.
Me afague.
Me dê notícias.
Diga que sente a minha a falta tanto quanto eu sinto a sua.
Em 04/05/2015 olhando o incenso se desfazer em brasa. Queimando por dentro.
O resultado desse julgamento foi baseado na minha variável falha de considerar apenas a superficialidade das relações.
E quando eu vi você repetindo padrões, concluí que, talvez, não fosse mentira aquilo tudo. Ou talvez fosse uma realidade pintada com cores fortes e olhadas através de uma lupa para que parecesse maior do que realmente foi.
Será que fui injusta?
Será que foi imortal posto que era chama e foi infinito enquanto durou?
Eu não sei.
Essa é a desvantagem das relações desenvolvidas prioritariamente no mundo virtual, com cavalares doses de trocas de mensagens e pouco olho no olho.
Eu desconfio sempre. Jornalistas desconfiam sempre.
Mas eu fico pensando nos padrões repetitivos e que, talvez, você tenha dito a verdade.
Agora é tarde!
Agora é muito tarde!
Agora é tarde!
Agora é tão tarde que eu sinto uma saudade louca e que me sufoca.
E tem o orgulho besta que me paralisa.
Paralisa e impede que eu diga, novamente, que eu sinto saudade.
Que eu quero você por perto.
Que eu quero ouvir a voz.
Que eu quero companhia e presença.
O resto do desejo a gente sufoca porque faz parte do ser racional, real, maduro.
Apareça.
Me afague.
Me dê notícias.
Diga que sente a minha a falta tanto quanto eu sinto a sua.
Em 04/05/2015 olhando o incenso se desfazer em brasa. Queimando por dentro.
domingo, 3 de maio de 2015
Dando o braço a torcer
Não sei se é engraçado ou ridículo.
Na verdade, é engraçado e ridículo.
Porque eu sabia que você me lia. Sabia porque o dia que você resolveu reaparecer depois de tanto tempo, foi porque você viu que eu tinha dito que é ruim as páginas serem viradas com tanta facilidade assim.
E você chegou, me propondo aquele prêmio de consolação que é igual ganhar a quadra apostando na mega-sena.
Porque você disse que queria ser amigo. Que amizade era maior que sexo. E sumiu. E eu, que não tinha disposição para ficar discutindo qualquer coisa, deixei você ir. Mas confesso que senti saudade, e disse isso. Não sou covarde e tenho essa mania besta de ser honesta comigo, sobretudo.
Então, você chegou com a quadra e eu tinha apostado na mega. (Mentira! tinha apostado nada)
Que bosta...
Mas tudo faz parte do aprender. Reaprender. Desmanchar. Reescrever.
E eu estou tentando cumprir o meu papel de mocinha madura e equilibrada e não ficar com raiva porque eu não tenho meus desejos atendidos do jeito que eu gostaria.
E eu estou aqui me expondo, mesmo que a grande maioria dos dois leitores (margem de erro para mais, claro) não faça ideia do que se passa. Enquanto você se cala e joga. E é quase desonesto nessa falta de diálogo.
O fato é que as coisas foram e eu fiquei triste e estou escrevendo este texto para dizer isso.
Mais uma artilharia para você usar no seu joguete.
Eu, desde o começo, só pedi para ser honesto.
Em 03/05/2015 dando o braço a torcer.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Palavras e verdades
"Na rapidez está a verdade". Acabei de ler essa frase em um texto com sugestões sobre escrever. E é engraçado como a escrita - ou a contação de histórias - está no imaginário da população. Vejamos o cinema. Em muito caso, as personagens ou são jornalistas ou são escritoras ou ambos e estão em crise. Como se a vida de jornalista ou escritor fosse apenas glamour e cheia de liberdade, dinheiro e outras coisas que associam com vida boa e felicidade.
Eu escrevo porque não falo.
Não gosto muito de falar, na verdade. Se eu conseguir estabelecer um diálogo longo e leve com você, sinta-se privilegiado porque eu realmente gosto de você. Isso se você der alguma relevância para minha pessoa.
Isso pode até ser uma espécie de regra, mas não vale para todo mundo. Por exemplo, não sou boa de me abrir com meus familiares e isso não significa que eu não os ame ou que não me importe com eles.
Eu escrevo porque pode ser que eu tenha sido arrebata por esse inconsciente relacionado à vida glamourosa dos escritores e jornalistas da ficção. Porque a vida real é muito chata, pesada, horrível. Mas é um combustível maravilhoso para mover nossa escrita.
Eu escrevo porque não gosto de falar. Isso não significa que eu não me importe. E eu sou constantemente surpreendida e consternada pela realidade. Ando ainda mais sensível e muitas coisas enchem meus olhos de lágrimas que eu custo a segurar.
Eu escrevo porque me alivia.
Me liberta.
Me faz melhor e me mostra melhor.
Eu não sou uma exímia política que vai mostrar sempre o melhor lado. Eu estou me esforçando para ser vista, ao mesmo tempo em que não quero nem ribalta, nem holofote.
É estranho e contraditório.
"Na rapidez está a verdade". E da rapidez nasceu "On the Road" de uma tacada só. Dos livros mais intensos e delirantes. Foi por causa dele que eu caí na contracultura e é só romantismo besta pela revolução. Vontade de refazer o mundo.
"Na rapidez está a verdade". E acho que vale para tudo. Porque a rapidez nos rouba a censura, o pensamento, a lapidação que vai afastar daquilo que pode ser a nossa verdade.
Em 28/04/2015 no exercício de fluxo contínuo em busca da verdade.
Eu escrevo porque não falo.
Não gosto muito de falar, na verdade. Se eu conseguir estabelecer um diálogo longo e leve com você, sinta-se privilegiado porque eu realmente gosto de você. Isso se você der alguma relevância para minha pessoa.
Isso pode até ser uma espécie de regra, mas não vale para todo mundo. Por exemplo, não sou boa de me abrir com meus familiares e isso não significa que eu não os ame ou que não me importe com eles.
Eu escrevo porque pode ser que eu tenha sido arrebata por esse inconsciente relacionado à vida glamourosa dos escritores e jornalistas da ficção. Porque a vida real é muito chata, pesada, horrível. Mas é um combustível maravilhoso para mover nossa escrita.
Eu escrevo porque não gosto de falar. Isso não significa que eu não me importe. E eu sou constantemente surpreendida e consternada pela realidade. Ando ainda mais sensível e muitas coisas enchem meus olhos de lágrimas que eu custo a segurar.
Eu escrevo porque me alivia.
Me liberta.
Me faz melhor e me mostra melhor.
Eu não sou uma exímia política que vai mostrar sempre o melhor lado. Eu estou me esforçando para ser vista, ao mesmo tempo em que não quero nem ribalta, nem holofote.
É estranho e contraditório.
"Na rapidez está a verdade". E da rapidez nasceu "On the Road" de uma tacada só. Dos livros mais intensos e delirantes. Foi por causa dele que eu caí na contracultura e é só romantismo besta pela revolução. Vontade de refazer o mundo.
"Na rapidez está a verdade". E acho que vale para tudo. Porque a rapidez nos rouba a censura, o pensamento, a lapidação que vai afastar daquilo que pode ser a nossa verdade.
Em 28/04/2015 no exercício de fluxo contínuo em busca da verdade.
sábado, 25 de abril de 2015
Sobre as mensagens e os diálogos silenciosos
As redes sociais trouxeram ou ampliaram a sensação de vigilância. É como se, a todo momento, alguém estivesse observando o que você está fazendo ou dizendo.
Em alguns casos é muito, muito chato porque representa mais uma maneira de lidar com a expectativa dos outros, tendo sempre que dizer a coisa certa, ou alguma coisa impactante porque, uma vez, despretensiosamente, você disse uma coisa certa ou impactante.
É da minha cabeça?
Possivelmente sim.
Mas essa sensação, às vezes, me assusta.
Isso é assunto para outra postagem. Eu queria falar mesmo sobre quando essa observação se converte em um diálogo silencioso. Como essa observação acaba promovendo a interlocução com o outro que se vê e se compreende na mensagem e, por isso, acaba por respondê-la.
E é como se você dissesse sem precisar dizer.
E é uma espécie de telepatia. Porque você não diz, mas a pessoa compreende e te enche de respostas.
E essa é a parte boa de se sentir observada. Porque é como a pessoa compreendesse o seu desejo de estabelecer o contato. A comunicação. O diálogo. Simplesmente porque você sente falta do contato. Da comunicação. Do diálogo.
E gostaria que ele fosse longo.
Na verdade, eu só gostaria que você estivesse por aqui novamente.
Em 25/04/15 brincando de Big Brother Brasil.
Em alguns casos é muito, muito chato porque representa mais uma maneira de lidar com a expectativa dos outros, tendo sempre que dizer a coisa certa, ou alguma coisa impactante porque, uma vez, despretensiosamente, você disse uma coisa certa ou impactante.
É da minha cabeça?
Possivelmente sim.
Mas essa sensação, às vezes, me assusta.
Isso é assunto para outra postagem. Eu queria falar mesmo sobre quando essa observação se converte em um diálogo silencioso. Como essa observação acaba promovendo a interlocução com o outro que se vê e se compreende na mensagem e, por isso, acaba por respondê-la.
E é como se você dissesse sem precisar dizer.
E é uma espécie de telepatia. Porque você não diz, mas a pessoa compreende e te enche de respostas.
E essa é a parte boa de se sentir observada. Porque é como a pessoa compreendesse o seu desejo de estabelecer o contato. A comunicação. O diálogo. Simplesmente porque você sente falta do contato. Da comunicação. Do diálogo.
E gostaria que ele fosse longo.
Na verdade, eu só gostaria que você estivesse por aqui novamente.
Em 25/04/15 brincando de Big Brother Brasil.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Aquela hora
Aquela hora que você entende que as coisas realmente são diferentes, mas que você gostaria que fossem iguais ou que, pelo menos, tivessem pinceladas de semelhanças.
Aquela hora que você percebe que tudo mudou. Quando a eloquência deu lugar a pausa e os sorrisos abundantes apenas rarearam.
Aquela hora que você deseja o toque mas, em nome da racionalidade mantém a distância segura porque você é racional e controla seus impulsos e também porque escreveu novos acordos em linhas virtuais.
E vocês sentem saudade.
E talvez tenham muita coisa para dizer mas preferem apenas a distância segura.
Aquela hora que você percebe e nega.
Aquela hora.
Aquela hora que passa e você as coisas indo embora pela janela.
Aquela hora.
Aquela hora que passa, mas já é tarde para colar o que se quebrou.
Aquela hora.
Aquela hora.
Aquela hora.
Em 16 de abril de 2015, olhando pela janela enquanto aquela hora não chega.
Aquela hora que você percebe que tudo mudou. Quando a eloquência deu lugar a pausa e os sorrisos abundantes apenas rarearam.
Aquela hora que você deseja o toque mas, em nome da racionalidade mantém a distância segura porque você é racional e controla seus impulsos e também porque escreveu novos acordos em linhas virtuais.
E vocês sentem saudade.
E talvez tenham muita coisa para dizer mas preferem apenas a distância segura.
Aquela hora que você percebe e nega.
Aquela hora.
Aquela hora que passa e você as coisas indo embora pela janela.
Aquela hora.
Aquela hora que passa, mas já é tarde para colar o que se quebrou.
Aquela hora.
Aquela hora.
Aquela hora.
Em 16 de abril de 2015, olhando pela janela enquanto aquela hora não chega.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Ainda bem que passa...
A gente pega, mas não se apega.
E não se apega mesmo porque quando chega a hora de ir ela é
serena e leve e você simplesmente deixa ir.
Mas não estamos imunes a sentimentos.
Tampouco, à saudade.
E quando a saudade bate...
Quando a saudade bate, você busca os históricos que não existem mais.
Quando a saudade bate, você busca os históricos que não existem mais.
Você busca as palavras que seriam capazes de preencher todo
aquele vazio que você sente.
E nas mesmas palavras você busca aquela intensidade que já se foi.
Ah, essa tecnologia que aproxima, mas que, ao mesmo tempo,
deixa tudo tão distante.
Que enche a nossa
vida de emoções desenhadas em bites.
Eu já disse que tinha saudades.
Pelo menos eu disse.
E, às vezes, eu gostaria que os caminhos não fossem seguidos
com tanta facilidade. Que as pessoas não fossem sem olhar para traz. E que a gente
não fosse aquela página virada tão facilmente.
Ainda bem que isso passa.
Em 14 de abril de 2015, pensando ainda bem que passa.
terça-feira, 24 de março de 2015
Meu ano de Fênix
A essa hora, no ano passado, enquanto a enfermeira contava meu dinheiro e levantava meus bens, eu tentava subverter o monitoramento que contava meus sinais vitais. Eu odiava estar presa e estava na CTI do hospital sem saber, ao certo, o que aconteceria comigo.
Depois disso - uma semana no hospital - eu nasci de novo.
E nasci uma nova Cássia. Pelo menos na minha cabeça eu sou uma nova Cássia.
Olha, o Cazuza escreveu que "eu vi a cara da morte e ela estava viva". E é bem isso. Ainda parece uma viagem muito louca. Eu não perdi a consciência e sigo achando que o quando a gente morre o céu, o inferno ou o limbo ou nosso lar devem parecer com a viagem de ácido do Peter Jackson.
Além da sobrevivência, o renascimento trouxe também novos hábitos e novas maneiras. Um exercício diário de desprendimento. Reorganização.
Hoje eu só quero agradecer aos deuses do firmamento aos médicos que foram precisos no diagnóstico, à equipe hospitalar, aos meus familiares e amigos que seguraram essa barra que foi gostar de mim nesse ano.
Olhando 2014 foi um ano cheio de coisas. Desafios que superei. Arestas que aparei. Enfim, 2014 foi um ano super cheio e por isso eu também agradeço, apesar da perda da minha querida vó Cecília.
Porque eu nasci de novo, hoje é meu aniversário e eu mereço bolo.
Em 24 de março de 2015, com o peito cheio de amores vãos.
Depois disso - uma semana no hospital - eu nasci de novo.
E nasci uma nova Cássia. Pelo menos na minha cabeça eu sou uma nova Cássia.
Olha, o Cazuza escreveu que "eu vi a cara da morte e ela estava viva". E é bem isso. Ainda parece uma viagem muito louca. Eu não perdi a consciência e sigo achando que o quando a gente morre o céu, o inferno ou o limbo ou nosso lar devem parecer com a viagem de ácido do Peter Jackson.
Além da sobrevivência, o renascimento trouxe também novos hábitos e novas maneiras. Um exercício diário de desprendimento. Reorganização.
Hoje eu só quero agradecer aos deuses do firmamento aos médicos que foram precisos no diagnóstico, à equipe hospitalar, aos meus familiares e amigos que seguraram essa barra que foi gostar de mim nesse ano.
Olhando 2014 foi um ano cheio de coisas. Desafios que superei. Arestas que aparei. Enfim, 2014 foi um ano super cheio e por isso eu também agradeço, apesar da perda da minha querida vó Cecília.
Porque eu nasci de novo, hoje é meu aniversário e eu mereço bolo.
Em 24 de março de 2015, com o peito cheio de amores vãos.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Sobre honestidade, distância e sentir saudade
Parece que eu perdi o
juízo.
Perdi o juízo, a sensatez e a razão que até então tinham
sido o meu norte.
E me deram de presente uma
postura objetiva, quase cirúrgica.
Mas, aí, acontece do não ter.
Acontece os termos que foram acordados e concordados em
espaços binários. No mundo analógico tivessem acontecido, viriam acompanhados
de assinaturas, carimbos e fios de bigodes para mostrar – a despeito da
depilação – que somos pessoas de palavras.
De tão objetivos não trouxeram dor.
Mas trouxeram a distância e o silêncio.
E eles se parecem com aquela dorzinha chata de cabeça que
acaba pedindo uma xícara de café a mais e um analgésico que estava perdido
dentro da bolsa.
É que a distância e o silêncio são chatos como dor de
cabeça. E incomodam.
Mas, ao mesmo tempo, são as únicas coisas possíveis.
Distância e silêncio.
Eu sonho com a telepatia e poder dizer coisas sem ter que,
necessariamente, verbalizá-las.
E eu sonho com a telepatia para que as notificações mudem de
cor e você, finalmente, faça contato e diga sem medo que sente saudades.
Porque eu também sinto.
Eu também sinto, mas me agarro na distância e no silêncio
porque escolhi juízo, sensatez e razão.
Em 19/03/2015 lembrando que eu aprendi dizer adeus.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
O princípio do fim
Há bem mais de um mês falei sobre o buraco da minhoca e o inevitável caminho que termina sempre no "me dar mal".
Com ou sem intensidade, sem o espaço multiplicado pela velocidade, parece que o fim está próximo e o planeta melancolia mais perto do que nunca.
Em parte porque o que era legal não é mais legal.
Quem deveria ser gentil, deixou de sê-lo.
E as coisas perderam o sentido em si.
Não há porque se esforçar. Não há por que. Na verdade, nunca houve.
É que a doçura e a gentileza, combustíveis essenciais, foram deixados de lado, enquanto o vazio era regado com cantareiras cheias de imaturidade.
Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Não quando a alma virou lama.
É triste quando as pessoas se perdem.
Pelo menos eu me encontrei.
Em 06/022/2015 a dois passos do paraíso.
Com ou sem intensidade, sem o espaço multiplicado pela velocidade, parece que o fim está próximo e o planeta melancolia mais perto do que nunca.
Em parte porque o que era legal não é mais legal.
Quem deveria ser gentil, deixou de sê-lo.
E as coisas perderam o sentido em si.
Não há porque se esforçar. Não há por que. Na verdade, nunca houve.
É que a doçura e a gentileza, combustíveis essenciais, foram deixados de lado, enquanto o vazio era regado com cantareiras cheias de imaturidade.
Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Não quando a alma virou lama.
É triste quando as pessoas se perdem.
Pelo menos eu me encontrei.
Em 06/022/2015 a dois passos do paraíso.
Assinar:
Comentários (Atom)


