Eu sei que a vida anda dura demais.
Porque existir é difícil e não faz muito sentido. E existir nesse Brasil, que se afoga na onda conservadora e que varre para bem longe a capacidade de uns se colocarem no lugar dos outros, é ainda mais pesado.
Eu sei.
E entendo que não podemos parar por completo porque corremos o risco de retroceder mais do que já retrocedemos. No entanto, eu acho que a gente precisa de pausa, de respiro.
Porque, apesar da dureza, o Brasil é tão rico e a gente precisa lutar tanto para fazer o país justo que acaba esquecendo de viver a arte e a poesia.
De ver a flor, enquanto a carne sangra no espinho.
Uma pausa.
Um respiro, entre rolas e Malafaias.
Contemplar o belo e beleza. Sentir o lirismo.
Porque não precisar ser dor o tempo todo. Pode ser desejo. E pode ser fuga e deve ser fuga porque viver precisa ser suportável.
Eu sei que estamos em guerra, mas a vida não precisa ser trincheira o tempo todo.
Pode e deve ser pausa e contemplação.
Não é sempre. É só hoje. Porque todos nós merecemos um dia bonito, mesmo que o céu esteja cinza.
Merecemos poesia. Palavras. Ternura. Mesmo que seja por um momento.
Então, pare. E olhe a flor. E leia o poema. Compartilhe a música ou cena do filme.
Então, pare. Olhe e diga que me ama.
* Fermata, também conhecida por Suspensão em italiano, significa parada.
Em 20/06/2015 dando uma pausa para contemplar.
