O intervalo era curto. Menos de segundo era o tempo que demorava para que ela apertasse o botão F5 do computador. Atualizava a página com tanta velocidade. Aguardava ali a resposta da vida. O bilhete premiado. A sorte que alteraria o curso da sua jornada.
E ela apertava. A caixa de entrada, mal carregava e já era atualizada de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
Ela não cansava. Aguardava ansiosa aquela mensagem que seria a resposta da vida. O bilhete premiado. A sorte que alteraria o curso da sua jornada.
Esperava em vão.
Não trocou e-mail.
Era impossível acreditar que ele escreveria, despretensiosamente, porque a urgência que ela sentia era também a urgência que ele sentia.
Nenhum google para buscar aquela informaçãozinha que não era foco da conversa.
Mais uma vez atualizar.
Acabou a luz. Acabou a energia da bateria. Era preciso esperar. Ela esperou, mas não sem sonhar acordada. Dormiu e, no dia seguinte, a vida seguiu o curso planejado. O e-mail não chegou. Mas ela está curada.
Em 09/06/2015 apertando desesperadamente o F5 da vida para que existência seja atualizada.
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