sexta-feira, 28 de julho de 2017

Retratos

Parece que estou ficando louca, mas você me olha e sorri na foto do avatar.  Você está congelado, olhando para mim e sorrindo. Eu já disse que gostava do seu riso fácil, embora não tenha muitas memórias do seu riso fácil. Ele está lá, congelado, para a eternidade das redes sociais que duram, exatamente, 30 minutos.

No fundo, bem lá no fundo, eu gostaria que você estivesse sorrindo para mim. A verdade é que você está sorrindo para qualquer  pessoa que veja sua rede social. Não é privilégio. É só você que tem um riso fácil. Imagino que esteja sorrindo, muito, sempre que vê alguma coisa nova no velho mundo. Imagino também a sua mão no bolso.

O curioso é que as lembranças são todas borradas, como se os encontros tivessem se dado com meu olho nu da miopia. Eu só lembro dos borrões. Dos borrões e do riso fácil.

Depois de muito tempo, me senti viva novamente. E, cara, estou pronta para o jogo da vida, para rolar os dados, para cair, levantar e iniciar todo esse ciclo misterioso da vida. Obrigada por isso. Eu não sabia que seria assim.

E é engraçado que isso tenha um contorno tão dramático. Um encontro fugaz. Pouco tempo. Um oceano e dois continentes de distância, se é que essa conta está certa.

O desencontro.

E você sorrindo na foto.

Eu gosto do seu riso fácil. Ou do que lembro do seu riso fácil.

E eu gosto da sua leveza tão real, quanto metafórica.

E isso tudo pode ser superestimado, mas é que nem sempre as pessoas nos fazem sentir viva de novo.

Você me olha fixamente. Eu tenho certeza. E você sorri enquanto me olha.

Eu também sorrio tentando congelar essa imagem.


Você olha fixamente e sorri...

Em 28 de julho de 2017, olhando você sorrindo na foto.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Sobre narrativas e potencial dramático

Perder um amor é, em alguns casos, como a morte. Uma morte metafórica. E é certo que você passa caminhando pela vida como um zumbi. Até que, em um determinado dia, sem passagem de tempo específica (porque não dá para saber mesmo, algumas pessoas não ressucitam mesmo) você volta a se sentir capaz de mostrar seu lado mais bonito para as outras pessoas. Você passa a querer compartilhar seus momentos com outra pessoa. E você até passa a acreditar que a vida possa ser possível com outra pessoa.

Assim como o amor acaba sem horário, sem previsão de tempo, sem aviso prévio. Você também volta para a Copa do Mundo do amor em qualquer momento.

E as coisas na nossa vida só acontecem quando elas tem que acontecer exatamente do jeito que tem que acontecer.

E numa noite de céu mais claro que o habitual porque subiam as lanternas de São João e uma fogueira improvisada espantava o frio displicente eu descobri que estava viva. E ainda estou.

E foi tudo meteórico, intenso, improvisado e bagunçado. E também não havia tempo. E foi bom. E o pulso voltou a pulsar e eu me senti viva.

E, agora, você vai embora.

Sem dramas, por conta da casualidade do encontro. Mas com um potencial dramático tão, tão, tão intenso e que cabe todo no "e se"...

E se tivéssemos nos apaixonado e existisse a urgência da paixão?

A separação é inevitável.

Mas os reencontros também são possíveis. Seremos estranhos novamente?

Eu me tornarei um roteirista renomada enquanto você namora uma moça que parece uma personagem da Zoey Deschanel na vida real?

E se houvesse reencontro? As pernas tremessem e os pares novos talvez interrompessem? E se? E se?

É bom se sentir viva novamente e ter um curta história sem drama, mas com muito potencial dramático.

Em 18 de julho de 2017 contanto os ses....