Parece que estou ficando louca, mas você me olha e sorri na
foto do avatar. Você está congelado,
olhando para mim e sorrindo. Eu já disse que gostava do seu riso fácil, embora
não tenha muitas memórias do seu riso fácil. Ele está lá, congelado, para a eternidade
das redes sociais que duram, exatamente, 30 minutos.
No fundo, bem lá no fundo, eu gostaria que você estivesse
sorrindo para mim. A verdade é que você está sorrindo para qualquer pessoa que veja sua rede social. Não é
privilégio. É só você que tem um riso fácil. Imagino que esteja sorrindo,
muito, sempre que vê alguma coisa nova no velho mundo. Imagino também a sua mão
no bolso.
O curioso é que as lembranças são todas borradas, como se os
encontros tivessem se dado com meu olho nu da miopia. Eu só lembro dos borrões.
Dos borrões e do riso fácil.
Depois de muito tempo, me senti viva novamente. E, cara,
estou pronta para o jogo da vida, para rolar os dados, para cair, levantar e
iniciar todo esse ciclo misterioso da vida. Obrigada por isso. Eu não sabia que
seria assim.
E é engraçado que isso tenha um contorno tão dramático. Um
encontro fugaz. Pouco tempo. Um oceano e dois continentes de distância, se é
que essa conta está certa.
O desencontro.
E você sorrindo na foto.
Eu gosto do seu riso fácil. Ou do que lembro do seu riso
fácil.
E eu gosto da sua leveza tão real, quanto metafórica.
E isso tudo pode ser superestimado, mas é que nem sempre as
pessoas nos fazem sentir viva de novo.
Você me olha fixamente. Eu tenho certeza. E você sorri
enquanto me olha.
Eu também sorrio tentando congelar essa imagem.
Você olha fixamente e sorri...
Em 28 de julho de 2017, olhando você sorrindo na foto.