Eu te olho de longe, mas queria você por perto.
Eu já escrevi nos papéis do universo todas as vezes que vou te reencontrar com o meu vestido amarelo hipotético. Ou com o meu biquine amarelo igualmente hipotético. Você vai sorrir enquanto eu danço e vai me abraçar longamente. Eu vou sorrir de volta.
Nos papéis do universo eu também escrevi todas as boas frases inteligentes e espirituosas que direi a você. Minhas observações perspicazes te farão sorrir. E eu terei muitas delas porque eu gosto como você sorri. Ou me lembro que gosto do modo como você sorri.
Vai ser no verão. E os dias serão longos e quentes, propícios aos encontros casuais nas ruas e às poucas roupas.
Eu também escrevi muitos diálogos improváveis nos papéis do universo. E é isso que dizem que temos que fazer quando queremos que alguma coisa realmente se concretize. Eu joguei você para o universo. Eu moldei para o universo como vamos nos encontrar. Eu de vestido amarelo e salto e você vestindo seu melhor sorriso.
E vai ser em um momento improvável e eu ficarei muito surpresa porque sou dada a dramas e hipérboles e achei que nunca mais te veria.
E você sorri.
E eu me dei conta de que gosto de pessoas sorridentes. Mas não que gargalhem muito. Só que tenham um sorriso perene.
Eu escrevi nos papéis do universo como você vai me beijar e tocar minha cintura. E também como vou descansar minha cabeça no seu peito.
Eu escrevi nos papéis do universo e agora vou enviar para você.
Espero que volte.
Em 15 de agosto de 2017, escrevendo, escrevendo, escrevendo...
terça-feira, 15 de agosto de 2017
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Retratos
Parece que estou ficando louca, mas você me olha e sorri na
foto do avatar. Você está congelado,
olhando para mim e sorrindo. Eu já disse que gostava do seu riso fácil, embora
não tenha muitas memórias do seu riso fácil. Ele está lá, congelado, para a eternidade
das redes sociais que duram, exatamente, 30 minutos.
No fundo, bem lá no fundo, eu gostaria que você estivesse
sorrindo para mim. A verdade é que você está sorrindo para qualquer pessoa que veja sua rede social. Não é
privilégio. É só você que tem um riso fácil. Imagino que esteja sorrindo,
muito, sempre que vê alguma coisa nova no velho mundo. Imagino também a sua mão
no bolso.
O curioso é que as lembranças são todas borradas, como se os
encontros tivessem se dado com meu olho nu da miopia. Eu só lembro dos borrões.
Dos borrões e do riso fácil.
Depois de muito tempo, me senti viva novamente. E, cara,
estou pronta para o jogo da vida, para rolar os dados, para cair, levantar e
iniciar todo esse ciclo misterioso da vida. Obrigada por isso. Eu não sabia que
seria assim.
E é engraçado que isso tenha um contorno tão dramático. Um
encontro fugaz. Pouco tempo. Um oceano e dois continentes de distância, se é
que essa conta está certa.
O desencontro.
E você sorrindo na foto.
Eu gosto do seu riso fácil. Ou do que lembro do seu riso
fácil.
E eu gosto da sua leveza tão real, quanto metafórica.
E isso tudo pode ser superestimado, mas é que nem sempre as
pessoas nos fazem sentir viva de novo.
Você me olha fixamente. Eu tenho certeza. E você sorri
enquanto me olha.
Eu também sorrio tentando congelar essa imagem.
Você olha fixamente e sorri...
Em 28 de julho de 2017, olhando você sorrindo na foto.
terça-feira, 18 de julho de 2017
Sobre narrativas e potencial dramático
Perder um amor é, em alguns casos, como a morte. Uma morte metafórica. E é certo que você passa caminhando pela vida como um zumbi. Até que, em um determinado dia, sem passagem de tempo específica (porque não dá para saber mesmo, algumas pessoas não ressucitam mesmo) você volta a se sentir capaz de mostrar seu lado mais bonito para as outras pessoas. Você passa a querer compartilhar seus momentos com outra pessoa. E você até passa a acreditar que a vida possa ser possível com outra pessoa.
Assim como o amor acaba sem horário, sem previsão de tempo, sem aviso prévio. Você também volta para a Copa do Mundo do amor em qualquer momento.
E as coisas na nossa vida só acontecem quando elas tem que acontecer exatamente do jeito que tem que acontecer.
E numa noite de céu mais claro que o habitual porque subiam as lanternas de São João e uma fogueira improvisada espantava o frio displicente eu descobri que estava viva. E ainda estou.
E foi tudo meteórico, intenso, improvisado e bagunçado. E também não havia tempo. E foi bom. E o pulso voltou a pulsar e eu me senti viva.
E, agora, você vai embora.
Sem dramas, por conta da casualidade do encontro. Mas com um potencial dramático tão, tão, tão intenso e que cabe todo no "e se"...
E se tivéssemos nos apaixonado e existisse a urgência da paixão?
A separação é inevitável.
Mas os reencontros também são possíveis. Seremos estranhos novamente?
Eu me tornarei um roteirista renomada enquanto você namora uma moça que parece uma personagem da Zoey Deschanel na vida real?
E se houvesse reencontro? As pernas tremessem e os pares novos talvez interrompessem? E se? E se?
É bom se sentir viva novamente e ter um curta história sem drama, mas com muito potencial dramático.
Em 18 de julho de 2017 contanto os ses....
Assim como o amor acaba sem horário, sem previsão de tempo, sem aviso prévio. Você também volta para a Copa do Mundo do amor em qualquer momento.
E as coisas na nossa vida só acontecem quando elas tem que acontecer exatamente do jeito que tem que acontecer.
E numa noite de céu mais claro que o habitual porque subiam as lanternas de São João e uma fogueira improvisada espantava o frio displicente eu descobri que estava viva. E ainda estou.
E foi tudo meteórico, intenso, improvisado e bagunçado. E também não havia tempo. E foi bom. E o pulso voltou a pulsar e eu me senti viva.
E, agora, você vai embora.
Sem dramas, por conta da casualidade do encontro. Mas com um potencial dramático tão, tão, tão intenso e que cabe todo no "e se"...
E se tivéssemos nos apaixonado e existisse a urgência da paixão?
A separação é inevitável.
Mas os reencontros também são possíveis. Seremos estranhos novamente?
Eu me tornarei um roteirista renomada enquanto você namora uma moça que parece uma personagem da Zoey Deschanel na vida real?
E se houvesse reencontro? As pernas tremessem e os pares novos talvez interrompessem? E se? E se?
É bom se sentir viva novamente e ter um curta história sem drama, mas com muito potencial dramático.
Em 18 de julho de 2017 contanto os ses....
terça-feira, 20 de junho de 2017
A paixão ou aquilo que nos move
Eu respirei muito fundo e, antes de ligar a roleta cafona das indiretas nas redes sociais, me lembrei desse espaço e de que poderia escrever sobre um tema que acaba indo de encontro com aquilo que eu estava pensado que é como deve ser triste a vida de quem só trabalha por dinheiro. Longe de mim, negar a importância de se ter dinheiro nesse mundo capitalista, mas viver só por isso deve ser uma existência triste e burocrática. Datada também, eu diria, porque o século XXI nos trouxe outras necessidades que não aquelas que podem ser guardadas em bancos ou em cofres e que podem ser contadas.
Por isso eu acabei me lembrando de você, domador das palavras, porque você mesmo sem saber, acabou me lembrando que a paixão é importante. O sonho é importante e que uma existência objetiva é pobre da maneira mais triste.
Foi um tempo bom ao seu lado. Foi curto e, ainda hoje, tenho a sensação de que essa história ainda não está concluída. Pode ser devaneio meu. Pode ser loucura ou pode ser apenas uma ligeira dificuldade em seguir em frente porque você me mostrou que o mundo colorido é muito, muito, muito mais interessante.
Eu sei que já te fiz inúmeros elogios, mas nunca te disse obrigada. E era isso que eu deveria dizer porque você, mesmo sem saber, me empurrou para uma existência mais equilibrada porque adicionou emoção no império da razão que é o modo como eu costumo me referir à minha vida.
Eu agora sonho.
Eu agora imagino.
Eu agora opto por fazer as coisas com leveza e encher a minha vida de paixão. Porque sem paixão não tem sentido.
Em 26 de junho de 2017, experimentando a vida com pitadas de paixão.
Por isso eu acabei me lembrando de você, domador das palavras, porque você mesmo sem saber, acabou me lembrando que a paixão é importante. O sonho é importante e que uma existência objetiva é pobre da maneira mais triste.
Foi um tempo bom ao seu lado. Foi curto e, ainda hoje, tenho a sensação de que essa história ainda não está concluída. Pode ser devaneio meu. Pode ser loucura ou pode ser apenas uma ligeira dificuldade em seguir em frente porque você me mostrou que o mundo colorido é muito, muito, muito mais interessante.
Eu sei que já te fiz inúmeros elogios, mas nunca te disse obrigada. E era isso que eu deveria dizer porque você, mesmo sem saber, me empurrou para uma existência mais equilibrada porque adicionou emoção no império da razão que é o modo como eu costumo me referir à minha vida.
Eu agora sonho.
Eu agora imagino.
Eu agora opto por fazer as coisas com leveza e encher a minha vida de paixão. Porque sem paixão não tem sentido.
Em 26 de junho de 2017, experimentando a vida com pitadas de paixão.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Sobre efemérides e saudades...
Hoje eu acordei chorando.
Lembrei que o golpe completava um ano. Neste dia, no ano passado, começaram a matar o sonho, embora eles nunca morram.
Neste dia, também, soubemos que enterraríamos um colega querido. Um susto, depois outro susto.
A consagração daquele que, talvez tenha sido o dia mais triste de 2016, veio com o seu adeus. Seco e impessoal.
Coroou um final de semana de notícias tristes, de deseperança.
Eu nunca mais fui a mesma.
Embora eu sorria quando lembro de você. Do jeito que você segurou a minha mão. Da forma como me beijou e de como o tempo parou porque você estava ali. Eu tive certeza de que o tempo pára quando a gente encontra o amor da nossa vida porque o tempo parou quando eu encontrei você.
Eu só sorria porque, enfim, a poesia fez morada em minha vida.
Mas então acabou e foi como se o tempo acelerasse de novo.
Eu sinto a sua falta.
Queria que você soubesse...
Em 17 de abril de 2017 contando os dias.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Sobre o tempo e aquilo que fica...
Todos os dias pela manhã, o palco das maiores disputas esportivas do país era espectador da história que vou contar. Não sei se, as centenas de pessoas que por ali passavam cronometrando o tempo da vida, percebiam aquele encontro. Tivesses olhos e boca, certamente o estádio diria a vocês que ele compunha o grupo de pessoas que se exercitavam. Por outro lado, ela exercitava a gentileza, oferecendo uma xícara de café. Nos dias de sol, ficavam os dois, sentados, admirando o ir e vir de carros e pessoas. Recebiam a luz solar, responsável por ajudar a fixar o cálcio dos ossos desgastados pelo tempo.
Sorriam.
Se abraçavam.
Se separavam e seguiam os dois, caminhos opostos para as próprias vidas.
Todos os dias, eles faziam tudo exatamente igual. Caminhada, café, sol, abraço e despedida.
Um dia, a caminhada ficou pesada e o espaço sob o sol ficou tão grande que não abrigou a tristeza que ausência definitiva do café e do traballho causaram.
Há quem diga que, se o estádio tivesse olhos e boca, todos saberiam que ele ainda se abriga sob o sol, embora ela não venha nunca mais.
Em 13 de abril de 2017, contemplando o tempo e espantando a saudade.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Fábrica de poemas
Houve um tempo em que, a cada dia, sorteava um poema e dedicava a você. Acho que era minha maneira tímida e silenciosa de transbordar para o mundo, todos a poesia que, de repente, passou a fazer parte da minha vida só porque, agora, você também era parte dela.
Ainda hoje quando me procura a solidão (fim de quem ama), garimpo livros em busca de versos que possam repetir aquele sentimento que não tem nem nome, nem cor. É uma busca em vão.
Em vão porque o que foi, não é mais.
O que havia não se repete.
Quem esteve já não está mais aqui.
Eu olho para o espaço ao meu redor e está tudo exatamente igual. Talvez, um pouco maior porque está vazio e você já não se projeta, palpável, quase real.
Escrevo para encontrar respostas e preencher vazios de quem, agora é só uma lembrança.
Em 31 de março de 2017, cantando chega de saudade.
Ainda hoje quando me procura a solidão (fim de quem ama), garimpo livros em busca de versos que possam repetir aquele sentimento que não tem nem nome, nem cor. É uma busca em vão.
Em vão porque o que foi, não é mais.
O que havia não se repete.
Quem esteve já não está mais aqui.
Eu olho para o espaço ao meu redor e está tudo exatamente igual. Talvez, um pouco maior porque está vazio e você já não se projeta, palpável, quase real.
Escrevo para encontrar respostas e preencher vazios de quem, agora é só uma lembrança.
Em 31 de março de 2017, cantando chega de saudade.
domingo, 12 de março de 2017
Notas sobre um grande amor...
Ela estava convicta de que faria uma lista trivial apontando as diversas características de um grande amor. Ela também estava convicta de que aquela história que havia alterado o eixo magnético do seu corpo (se é que corpos possuem eixos magnéticos) era, de fato, um grande amor.
Mas, depois de muito tempo diante da tela do computador em branco, ela já não tinha tanta certeza nem das características, nem do que ela havia vivido. Não estava maluca a ponto de confundir platonismo com realidade, embora fosse dada, com muita frequência, à viver uma existência platônica.
Levantou. Bebeu um copo de água na tentativa vã de espantar o calor que molhara lugares poucos prováveis da sua roupa. Pensou que se estivesse no cinema, neste momento, acenderia um cigarro, daria uma tragada profunda que seria acompanhada por uma dose longa de alguma bebida destilada. De novo, a realidade era bem diferente do que a ficção.
Pensava em todas as coisas que havia sentido. Nos sintomas físicos. Na loucura emocional que era tão boa que apenas fizera dela uma pessoa mais alegre do que o habitual.
Pensava no modo como se sentia jovial, leve e viva. Como sorria de qualquer besteira. Como perdera o medo das mensagens trocadas. Dos sentimentos descobertos. De sorrir porque fazia sol. E de sorrir porque, eventualmente, fazia frio.
Lembrava como se sentia leve e fazia força para atar-se ao chão da realidade porque tinha certeza de que, se assim não fizesse, sairia flutuando por aí. Um padre de balões, sem final trágico e sem balões.
Lembrava também que aprendeu gestos afetuosos pelos quais ansiava ferozmente.
Mal-disse o poeta porque todas as suas notas sobre amor e tristeza haviam sindo, enfim, superadas porque ela descobriu que o grande amor podia ser também alegre.
Ajeitou os óculos do jeito que havia aprendido com ele. E lembrou-se de todas as manias que havia herdado e concluiu que não era mais a mesma pessoa. E gostava daquela pessoa na qual ela se transformara porque acreditava que os grandes amores, mesmo quando não permanecem, fazem a gente ser uma pessoa melhor. Para nós e para os outros.
Suspirou de saudade.
A tela do computador cotinuava em branco. Ela sabia que não podia fazer print da alma. As notas do grande amor estavam todas impressas nelas.
Em 12/03/2017, contratando um provedor para mandar um e-mail de amor.
Mas, depois de muito tempo diante da tela do computador em branco, ela já não tinha tanta certeza nem das características, nem do que ela havia vivido. Não estava maluca a ponto de confundir platonismo com realidade, embora fosse dada, com muita frequência, à viver uma existência platônica.
Levantou. Bebeu um copo de água na tentativa vã de espantar o calor que molhara lugares poucos prováveis da sua roupa. Pensou que se estivesse no cinema, neste momento, acenderia um cigarro, daria uma tragada profunda que seria acompanhada por uma dose longa de alguma bebida destilada. De novo, a realidade era bem diferente do que a ficção.
Pensava em todas as coisas que havia sentido. Nos sintomas físicos. Na loucura emocional que era tão boa que apenas fizera dela uma pessoa mais alegre do que o habitual.
Pensava no modo como se sentia jovial, leve e viva. Como sorria de qualquer besteira. Como perdera o medo das mensagens trocadas. Dos sentimentos descobertos. De sorrir porque fazia sol. E de sorrir porque, eventualmente, fazia frio.
Lembrava como se sentia leve e fazia força para atar-se ao chão da realidade porque tinha certeza de que, se assim não fizesse, sairia flutuando por aí. Um padre de balões, sem final trágico e sem balões.
Lembrava também que aprendeu gestos afetuosos pelos quais ansiava ferozmente.
Mal-disse o poeta porque todas as suas notas sobre amor e tristeza haviam sindo, enfim, superadas porque ela descobriu que o grande amor podia ser também alegre.
Ajeitou os óculos do jeito que havia aprendido com ele. E lembrou-se de todas as manias que havia herdado e concluiu que não era mais a mesma pessoa. E gostava daquela pessoa na qual ela se transformara porque acreditava que os grandes amores, mesmo quando não permanecem, fazem a gente ser uma pessoa melhor. Para nós e para os outros.
Suspirou de saudade.
A tela do computador cotinuava em branco. Ela sabia que não podia fazer print da alma. As notas do grande amor estavam todas impressas nelas.
Em 12/03/2017, contratando um provedor para mandar um e-mail de amor.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Sobre o calor, o desassossego e as memórias falhadas.
Eu deixei o tempo passar, as coisas se acentarem, mas é que agora eu vivo em desassossego. Eu olho para aquela caixa de e-mails como se ela fosse piscar novamente e uma nova mensagem sua fosse encher meu coração de alegria.
O dia está tão quente! O calor é tanto que a gente não sente quando os olhos ficam embotados de suor que, bem verdade, poderiam ser lágrimas.
Mas eu não quero chorar. Eu quero arrancar esse desassossego que uma mensagem despretensiosa às 23h45 do último dia do ano trouxe. Eu queria tirar o desassossego que a busca por significados ocultos. O Google não responde mais. Nem os sites esotéricos. Nem o yahoo respostas.
Eu procuro na internet notícias suas. Fotos. Relatos. Qualquer sinal, além daquele de que você está vivo e bem.
Eu sei que você está vivo. E gostaria que estivesse bem ao meu lado. De ter horas calmas de fuga e de leveza... eu queria você.
Eu queria o contato fácil e sem medo e sem peso que isso tudo virou depois que você se foi.
Há muito tempo eu não sinto uma dor tão grande, tão paralisante quando alguém vai. Porque a maior parte das pessoas que passaram pela minha vida poderiam estar só de passagem. Eu não ligava. Eu não ligo.
Agora você? Eu gostaria que você ficasse... e afagasse a minha cabeça, enquanto a gente ainda estava nos lençóis dizendo que eu preciso ser mais imaginativa. Eu sou. Mas é que a vida tem sido tão dura e tão pesada, que eu escolhi a casca. E você me lembrava da doçura, da leveza, da felicidade boba que eu trazia comigo antes da vida ter me transformado nisso que eu virei e eu nem sei direito o que é.
Porque você é sopro e doçura e exister está pesado e feio. A gente olha para o lado e está desesperançado e você me escreve dizendo que era para ter fé que não costuma falhar.
Eu esqueci a magia. E foi a magia que trouxe você para mim. E era tudo azul. E eu luto para que esse azul volte a tomar conta de mim e que você volte porque eu quero morar nesse azul.
A memória é mesmo traidora, não é?
E eu me vi cercada delas enquanto viajava por aquele local que forjou a sua personalidade bem no dia do seu aniversário. O dia que você encheu de graça, leveza a humanidade encarregando-se de ser a pessoa das narrativas não peculiares.
Um simples "oi". Um simples "saudades" engordados por um pouco mais de lembrança foram matéria-prima suficiente para que você elevasse ainda mais a muralha que existe entre nós, alicerçada nos seus longos silêncios. As palavras saíram feito tijolos. Uma atrás da outra, aumentando o muro que separa aquilo que um dia existiu.
Doeu.
Doeu e mesmo antes que as resoluções de ano novo chegassem como a minha lista veio encabeçada pelo "nunca mais vou procurá-lo".
Mas quis o destino ser irônico, quando o ano-novo já rompia as horas que você resolveu desejar que o meu ritual para o ano fosse bom. E foi mesmo antes de saber do seu desejo.
O curioso é que as paredes deram lugar às portas e os abismos foram preenchidos por pontes que, embora firmes, permanecem vazias porque eu prometi não cruzá-las.
Mas a cabeça fervilha, fervilha, fervilha...
Em 24/01/2017 contendo a ebulição cerebral porque a cabeça fervilha
O dia está tão quente! O calor é tanto que a gente não sente quando os olhos ficam embotados de suor que, bem verdade, poderiam ser lágrimas.
Mas eu não quero chorar. Eu quero arrancar esse desassossego que uma mensagem despretensiosa às 23h45 do último dia do ano trouxe. Eu queria tirar o desassossego que a busca por significados ocultos. O Google não responde mais. Nem os sites esotéricos. Nem o yahoo respostas.
Eu procuro na internet notícias suas. Fotos. Relatos. Qualquer sinal, além daquele de que você está vivo e bem.
Eu sei que você está vivo. E gostaria que estivesse bem ao meu lado. De ter horas calmas de fuga e de leveza... eu queria você.
Eu queria o contato fácil e sem medo e sem peso que isso tudo virou depois que você se foi.
Há muito tempo eu não sinto uma dor tão grande, tão paralisante quando alguém vai. Porque a maior parte das pessoas que passaram pela minha vida poderiam estar só de passagem. Eu não ligava. Eu não ligo.
Agora você? Eu gostaria que você ficasse... e afagasse a minha cabeça, enquanto a gente ainda estava nos lençóis dizendo que eu preciso ser mais imaginativa. Eu sou. Mas é que a vida tem sido tão dura e tão pesada, que eu escolhi a casca. E você me lembrava da doçura, da leveza, da felicidade boba que eu trazia comigo antes da vida ter me transformado nisso que eu virei e eu nem sei direito o que é.
Porque você é sopro e doçura e exister está pesado e feio. A gente olha para o lado e está desesperançado e você me escreve dizendo que era para ter fé que não costuma falhar.
Eu esqueci a magia. E foi a magia que trouxe você para mim. E era tudo azul. E eu luto para que esse azul volte a tomar conta de mim e que você volte porque eu quero morar nesse azul.
A memória é mesmo traidora, não é?
E eu me vi cercada delas enquanto viajava por aquele local que forjou a sua personalidade bem no dia do seu aniversário. O dia que você encheu de graça, leveza a humanidade encarregando-se de ser a pessoa das narrativas não peculiares.
Um simples "oi". Um simples "saudades" engordados por um pouco mais de lembrança foram matéria-prima suficiente para que você elevasse ainda mais a muralha que existe entre nós, alicerçada nos seus longos silêncios. As palavras saíram feito tijolos. Uma atrás da outra, aumentando o muro que separa aquilo que um dia existiu.
Doeu.
Doeu e mesmo antes que as resoluções de ano novo chegassem como a minha lista veio encabeçada pelo "nunca mais vou procurá-lo".
Mas quis o destino ser irônico, quando o ano-novo já rompia as horas que você resolveu desejar que o meu ritual para o ano fosse bom. E foi mesmo antes de saber do seu desejo.
O curioso é que as paredes deram lugar às portas e os abismos foram preenchidos por pontes que, embora firmes, permanecem vazias porque eu prometi não cruzá-las.
Mas a cabeça fervilha, fervilha, fervilha...
Em 24/01/2017 contendo a ebulição cerebral porque a cabeça fervilha
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