sábado, 13 de dezembro de 2014

Entrando em um wormhole

Não é uma questão de ficção científica. É mais uma questão de física, eu imagino.

Estou a divagar sobre o conceito de wormhole  ou buraco de minhoca se assim preferirem.


Na teoria esses buracos seriam atalhos hipotéticos  que, através do espaço-tempo, criaria atalhos para viagens longas em todo o universo. Esse conceito faz parte da teoria da relatividade geral. 


Não estou falando dos buracos porque sou super nerd e super inteirada e super fã de ficção científica. Estou falando dos buracos porque me ocorreu esses buracos de minhoca poderiam ser uma bela metáfora para a nossa vida sentimental. Quero dizer, para a minha vida sentimental.

É que, de novo, é como se eu sempre buscasse o caminho mais curto entre o ser feliz e o me dar mal. Sendo que, o ponto de chegada é sempre o me dar mal.

Estou em casa, de férias, era para estar super feliz e animada, mas não estou.

E nem é por conta de coisas de família e talz.

É mais por vislumbrar o ocaso de história que sim, começou errada, mas poderia ser divertida, ao menos.

Mas nem é tristeza. É só uma melancolia de quem embarcou no buraco da minhoca para chegar no tempo errado da história. Sempre errada. Sempre em descompasso.

E fica melancolia de quem olha o sol se por, em um daqueles dias incríveis que ficaram na memória e que foi tão incrível que você guarda a cor na sua retina e gostaria de transformar aqueles tons de laranja em um vestido incrível.

Em 13/12/2014 pegando carona nessa calda de cometa, em plena Via Láctea, estrada tão bonita.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Googlando eu mesma

E tem aquelas horas que você se sente avaliada. Que você se sente presa a uma de suas infinitas nuances. Outro dia li a resenha da Ana Maria Bahiana sobre a adaptação de “Garota Exemplar” na qual ela conjecturava a seqüência inicial da cabeça da Amy “Exemplar” porque o filme tratava de máscaras (não me lembro com clareza se o termo era máscaras, mas era algo similar).

Agora eu me vejo presa em uma das máscaras. Mas não que eu esteja realmente presa, mas é como se eu estivesse. É como se eu tivesse que responder as expectativas que eu nem sei se criam a meu respeito.

É como se eu fosse obrigada a ser, o tempo todo, aquela menina inteligente, cheia de referências e pontos de vistas. Eu sou isso. Mas eu não sou só isso.

A Clementine, do “Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças” disse: “eu não sou um conceito, sou apenas uma garota fodida procurando a paz”. Já a Anna Scott (Nothing Hill) também disse: “Eu sou apenas uma garota pedindo a um garoto que goste dela”.

E eu, sou o quê?


Em 9/12/2014 googlando para saber quem eu sou. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Estar perdido é que é ruim

Essa frase é de um poema e, às vezes, ela é recorrente.

Não é estar sozinho que é ruim, é estar perdido.

Eu já estive perdida e, olha, vou dizer para você  é uma bosta. Não saber que rumo tomar. Não saber que sentindo dar para as coisas como se elas precisassem realmente de algum sentindo.

Estar sozinho a gente tira de letra.

O capuz da invisibilidade a gente não tira. Mas a gente convive bem com ela. Porque a cobrança é horrível e imagina como ela não seria insuportável se TODAS AS PESSOAS DO UNIVERSO te dessem certa importância.

Mas a humanidade está doente e tem muita gente perdida.

Talvez eu esteja perdida enquanto eu escrevo essas linhas. Talvez eu esteja. Mas é que tem gente que está na merda de verdade e tem horas, e não há problema nisso, que a gente não tem forças para reagir e nem coragem para tomar o rumo contrário. Nessas horas só nos resta a inércia.

Estar sozinho não é ruim.

Estar perdido é uma merda. Mas a gente, às vezes, precisa se perder para se achar.

Estou constantemente pedida. E você?


Em 6/12/ 2014, refletindo enquanto  me olho no espelho.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A vida é sopro

A vida é sopro.
Penso nisso e vento bate na cara, bagunça o cabelo ainda molhado e com cheiro de banho, shampoo e creme.
A vida é sopro.
E tudo acontece e termina como um tilintar que do sino de vento que não deixa a gente esquecer que não há espaço para a imobilidade.
A vida é sopro até quando termina.
Eu vi isso em um filme ontem. E como é vento e move, a gente tentar deixar marcas e não nos fazer invisíveis.
Eu vi isso no filme ontem. O personagem falava sobre invisibilidade. Já estive invisível. E ainda, por alguns instantes, permaneço invisível. Dói. Dói porque a vida é sopro. E ser invisível é estar imóvel, como aquelas tardes quentes cujo ar não circula. Ser invisível implica em não deixar marca, qualquer uma, na existência e é isso que a gente tenta desesperadamente para não ser esquecido.
Porque a vida é sopro e um dia esse sopro apaga a vida.


Em 1º/12/2014, segurando o cabelo que o vento que sopra insiste em emaranhar. 

domingo, 30 de novembro de 2014

a vida, os movimentos cíclicos e a depilação como metáfora existencial

Tenho pensado em como a beleza das palavras pode transformar nossa existência. E falo das palavras em suas mais diversas variações como música ou como livro, prosa ou poesia. É quase catártico ou é apenas catártico.

Por isso me perdi viajando na possibilidade de como seria bom morar dentro das narrativas – só as belas!

Porque o deserto do real é horrível. E é como se vivêssemos em um espiral louco e que nos jogasse de um lado para o outro sempre do mesmo jeito. Ou sempre variando os lados para que as escoriações da existência fossem apenas leve.

Eu entrei dentro de um desses espirais e a sensação de já ter vivido aquilo tudo é tão intensa e chega agravada pelas expectativas de “sabemos que vai doer e nos resta saber quando e como vai doer”. A sensação é como aquela que antecede à puxada posterior ao processo de colocar a cera depilatória em uma temperatura confortável na sua pele. Vai doer! Você sabe que vai. Mesmo que os seus pelos já estejam rareando, ainda assim, vai doer.

E você sabe que vai. E você calmamente espera, segurando fixamente na maca imaginária da existência, esperando que, desta vez, por Deus, não doa.

A cera já foi colocada. Estou deitada na maca existencial justamente naquele momento que antecede a puxada. O calor é agradável e eu espero, sinceramente, que dessa vez não doa.

Mas já doeu.


Em 30/11/2014, deitada na maca existencial, acreditando que dessa vez não doa.