terça-feira, 28 de abril de 2015

Palavras e verdades

"Na rapidez está a verdade". Acabei de ler essa frase em um texto com sugestões sobre escrever. E é engraçado como a escrita  - ou a contação de histórias  - está no imaginário da população. Vejamos o cinema. Em muito caso, as personagens ou são jornalistas ou são escritoras ou ambos e estão em crise. Como se a vida de jornalista ou escritor fosse apenas glamour e cheia de liberdade, dinheiro e outras coisas que associam com vida boa e felicidade.

Eu escrevo porque não falo.

Não gosto muito de falar, na verdade. Se eu conseguir estabelecer um diálogo longo e leve com você, sinta-se privilegiado porque eu realmente gosto de você. Isso se você der alguma relevância para minha pessoa.

Isso pode até ser uma espécie de regra, mas não vale para todo mundo. Por exemplo, não sou boa de me abrir com meus familiares e isso não significa que eu não os ame ou que não me importe com eles.

Eu escrevo porque pode ser que eu tenha sido arrebata por esse inconsciente relacionado à vida glamourosa dos escritores e jornalistas da ficção. Porque a vida real é muito chata, pesada, horrível. Mas é um combustível maravilhoso para mover nossa escrita.

Eu escrevo porque não gosto de falar. Isso não significa que eu não me importe. E eu sou constantemente surpreendida e consternada pela realidade. Ando ainda mais sensível e muitas coisas enchem meus olhos de lágrimas que eu custo a segurar.

Eu escrevo porque me alivia.
Me liberta.
Me faz melhor e me mostra melhor.
Eu não sou uma exímia política que vai mostrar sempre o melhor lado. Eu estou me esforçando para ser vista, ao mesmo tempo em que não quero nem ribalta, nem holofote.
É estranho e contraditório.

"Na rapidez está a verdade". E da rapidez nasceu "On the Road" de uma tacada só. Dos livros mais intensos e delirantes. Foi por causa dele que eu caí na contracultura e é só romantismo besta pela revolução. Vontade de refazer o mundo.

"Na rapidez está a verdade". E acho que vale para tudo. Porque a rapidez nos rouba a censura, o pensamento, a lapidação que vai afastar daquilo que pode ser a nossa verdade.


Em 28/04/2015 no exercício de fluxo contínuo em busca da verdade.




sábado, 25 de abril de 2015

Sobre as mensagens e os diálogos silenciosos

As redes sociais trouxeram ou ampliaram a sensação de vigilância. É como se, a todo momento, alguém estivesse observando o que você está fazendo ou dizendo.

Em alguns casos é muito, muito chato porque representa mais uma maneira de lidar com a expectativa dos outros, tendo sempre que dizer a coisa certa, ou alguma coisa impactante porque, uma vez, despretensiosamente, você disse  uma coisa certa ou impactante.

É da minha cabeça?

Possivelmente sim.

Mas essa sensação, às vezes, me assusta.

Isso é assunto para outra postagem. Eu queria falar mesmo sobre quando essa observação se converte em um diálogo silencioso. Como essa observação acaba promovendo a interlocução com o outro que se vê e se compreende na mensagem e, por isso, acaba por respondê-la.

E é como se você dissesse sem precisar dizer.

E é uma espécie de telepatia. Porque você não diz, mas a pessoa compreende e te enche de respostas.

E essa é a parte boa de se sentir observada. Porque é como a pessoa compreendesse o seu desejo de estabelecer o contato. A comunicação. O diálogo. Simplesmente porque você sente falta do contato. Da comunicação. Do diálogo.

E gostaria que ele fosse longo.

Na verdade, eu só gostaria que você estivesse por aqui novamente.


Em  25/04/15 brincando de Big Brother Brasil.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Aquela hora

Aquela hora que você entende que as coisas realmente são diferentes, mas que você gostaria que fossem iguais ou que, pelo menos, tivessem pinceladas de semelhanças.

Aquela hora que você percebe que tudo mudou. Quando a eloquência deu lugar a pausa e os sorrisos abundantes apenas rarearam.

Aquela hora que você deseja o toque mas, em nome da racionalidade mantém a distância segura porque você é racional e controla seus impulsos e também porque escreveu novos acordos em linhas virtuais.

E vocês sentem saudade.

E talvez tenham muita coisa para dizer mas preferem apenas  a distância segura.


Aquela hora que você percebe e nega.

Aquela hora.

Aquela hora que passa e você as coisas indo embora pela janela.

Aquela hora.

Aquela hora que passa, mas já é tarde para colar o que se quebrou.

Aquela hora.

Aquela hora.

Aquela hora.


Em 16 de abril de 2015, olhando pela janela enquanto aquela hora não chega.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Ainda bem que passa...

A gente pega, mas não se apega.

E não se apega mesmo porque quando chega a hora de ir ela é serena e leve e você simplesmente deixa ir.

Mas não estamos imunes a sentimentos.

Tampouco, à saudade.

E quando a saudade bate...

Quando a saudade bate, você busca os históricos que não existem mais.

Você busca as palavras que seriam capazes de preencher todo aquele vazio que você sente.

E nas mesmas palavras você busca aquela intensidade que já se foi.

Ah, essa tecnologia que aproxima, mas que, ao mesmo tempo, deixa tudo tão distante.

Que enche a nossa vida de emoções desenhadas em bites.

Eu já disse que tinha saudades.

Pelo menos eu disse.

E, às vezes, eu gostaria que os caminhos não fossem seguidos com tanta facilidade. Que as pessoas não fossem sem olhar para traz. E que a gente não fosse aquela página virada tão facilmente.

Ainda bem que isso passa.


Em 14 de abril de 2015, pensando ainda bem que passa.