segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ficação > Realidade

Perdi o juízo!!!!!

Perdi mesmo o juízo!!!

Perdi o juízo quando decidi que, tudo bem, eu poderia me apaixonar platonicamente por ele.

E fui.

Mas paixão platônica não se concretiza. Fica ali, no campo das ideias, onde não se toca, apenas  se sente. E eu sinto.Sinto um desejo inexplicável, incomparável. Intraduzível.

Sinto. Apenas

Sinto, mas tenho muita fé na nossa senhora da bicicletinha - aquela que dá equilíbrio - que isso passa.
Passa. Sempre passa.

Não é bom criar histórias?

Porque a gente cria o personagem. Cria sim. Porque eu sequer conheço ele direito. E tenho apenas a minha ideia daquela criatura que é doce e gentil e fala o tempo todo de poesia.

E eu te inventei. E inventei uma história todinha juntos. Juntos. Sem desacertos. Sem contratempos. Porque nos romances do mundo real só tem desacertos e contratempos. E eu quero um romance que caminhe no ritmo certo. O ritmo que vai permitir encontros e não desencontros e eu não serei a menina que calhou de existir na vida das pessoas cedo demais ou tarde demais. No meu caso, sempre tarde demais.

E eu vejo os toques.
As palavras doces.
A parceria e o andar sem roupa de manhã enquanto a gente acorda e você toca meus seios enquanto eu faço café e sorrio só porque você está ali e existe comigo.

E eu sorrio no mundo real.
Porque nós temos a imaginação e o sonho que nos tiram da aspereza e desse deserto emocional que é a realidade.
Sorrio porque no mundo real o mundo das coisas e das pessoas imaginadas é sempre tão incrível e coisas boas acontecem o tempo todo.

E eu estou com você.
E você está comigo. E não tem medo. Insegurança. Desencontro. Descompasso. Só você e eu e nossa linda história inventada.
O meu não príncipe, porque você não é perfeito e tem aquela barriga e rugas e a gente lê tudo ali. Lê vida. Lê intensidade. Lê delicadeza e, sobretudo, lê poesia.

Uma pena que passa.

Em 26/05/2015 vivendo uma história milimetricamente inventada.

domingo, 17 de maio de 2015

Eu não gosto de dias nublados

Falta um mês para o inverno. Mas os dias já estão ficando mais frios.

Falta um mês para o inverno, mas a melancolia que chega quando março cerra as portas com seu anoitecer precoce acaba por se instalar.

Para o diabo com essa ideia de que ficamos mais elegantes com o frio.

Para o diabo com os fundies e o vinho e esse pretenso romantismo.

Eu odeio frio. Odeio muitas roupas e confesso que só de um ano para cá dormir em temperaturas amenas se tornou uma coisa prazerosa para mim. Deve ser porque eu passei a dormir de fato. Eu não dormia e tinha noites que eu não dormia porque o frio não deixava.

Eu não gosto do frio. Eu não gosto porque demora a amanhecer. Mesmo que os dias sejam de céu claro e sol. A noite chega mais cedo e é como se empurrasse para dentro de casa, a caverna da contemporaneidade.

Eu gosto do verão e dos seus dias longos. Das noites curtas. Do calor, do clima e das cores.

Ainda não são 6 da tarde e a noite já se anuncia, timidamente fria.

O clima que acentua a solidão. E faz do estar só uma coisa triste porque a gente quer é um pé para aquecer a gente. A gente quer um pé muito mais do que um chá que é doce e perfuma a casa.

Ainda bem que passa!

Porque a vida é ciclo.

Em 17/05/2015 olhando para o relógio biológico da natureza.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Lambendo as palavras espero...

Era tudo seco. E era tudo folha em branco. E era daquela tristeza não da vida dura e pobre, mas daquela onde havia excesso de falta, fartura de nada. Não havia choque. Não havia encantamento. Não havia frenesi ou urgência. Só quietude e vazio.

Então, ela abriu a porta para aquele espaço que retinha e guardava coisas velhas. Fatos. Histórias. Memórias. E era como se um mundo novo se abrisse.

A linha reta, que na medicina indicava o fim de tudo, de repente, começou  a oscilar. Altos e baixos ditavam o ritmo novamente. Havia vida. Havia paixão.

Ela não soube dizer como começou.

Onde teria tropeçado naquele fio desencapado dentro da poça de água?

Onde aconteceu o choque?

Não sabia. Sabia apenas que recebeu descarga suficiente para voltar a pulsar outra vez.

Encantava-se com o bom trato com as palavras e a lapidação despretensiosa que trazia novos sentidos e novas significações. Imaginava aquela língua que sorvia o verbete, lambendo seu corpo. Ansiava pela destreza com a qual ele contava histórias se manifestasse no modo como a mão deslizaria por seu corpo nu.

O ritmo.

O som.

Os ruídos.

A luz acesa e o fim da história!


Em 14/05/2015 lambendo as palavras enquanto espera.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre os padrões repetitivos e a verdade

Eu julgava que não te conhecia.

O resultado desse julgamento foi baseado na minha variável falha de considerar apenas a superficialidade das relações.

E quando eu vi você repetindo padrões, concluí que, talvez, não fosse mentira aquilo tudo. Ou talvez fosse uma realidade  pintada com cores fortes e olhadas através de uma lupa para que parecesse maior do que realmente foi.

Será que fui injusta?

Será que foi imortal posto que era chama e foi infinito enquanto durou?

Eu não sei.

Essa é a desvantagem das relações desenvolvidas prioritariamente no mundo virtual, com cavalares doses de trocas de mensagens e pouco olho no olho.

Eu desconfio sempre. Jornalistas desconfiam sempre.

Mas eu fico pensando nos padrões repetitivos e que, talvez, você tenha dito a verdade.

Agora é tarde!

Agora é muito tarde!

Agora é tarde!

Agora é tão tarde que eu sinto uma saudade louca e que me sufoca.

E tem o orgulho besta que me paralisa.

Paralisa e impede que eu diga, novamente, que eu sinto saudade.

Que eu quero você por perto.

Que eu quero ouvir a voz.

Que eu quero companhia e presença.

O resto do desejo a gente sufoca porque faz parte do ser racional, real, maduro.

Apareça.

Me afague.

Me dê notícias.

Diga que sente a minha a falta tanto quanto eu sinto a sua.

Em 04/05/2015 olhando o incenso se desfazer em brasa. Queimando por dentro.

domingo, 3 de maio de 2015

Dando o braço a torcer

Não sei se é engraçado ou ridículo.

Na verdade, é engraçado e ridículo.


E você chegou, me propondo aquele prêmio de consolação que é igual ganhar a quadra apostando na mega-sena.

Porque você disse que queria ser amigo. Que amizade era maior que sexo. E sumiu. E eu, que não tinha disposição para ficar discutindo qualquer coisa, deixei você ir. Mas confesso que senti saudade, e disse isso. Não sou covarde e tenho essa mania besta de ser honesta comigo, sobretudo.

Então, você chegou com a quadra e eu tinha apostado na mega. (Mentira! tinha apostado nada)

Que bosta...

Mas tudo faz parte do aprender. Reaprender. Desmanchar. Reescrever. 

E eu estou tentando cumprir o meu papel de mocinha madura e equilibrada e não ficar com raiva porque eu não tenho meus desejos atendidos do jeito que eu gostaria.

E eu estou aqui me expondo, mesmo que a grande maioria dos dois leitores (margem de erro para mais, claro) não faça ideia do que se passa. Enquanto você se cala e joga. E é quase desonesto nessa falta de diálogo. 

O fato é que as coisas foram e eu fiquei triste e estou escrevendo este texto para dizer isso.

Mais uma artilharia para você usar no seu joguete.

Eu, desde o começo, só pedi para ser honesto.

Em 03/05/2015 dando o braço a torcer.