Era tudo seco. E era tudo folha em branco. E era daquela tristeza não da vida dura e pobre, mas daquela onde havia excesso de falta, fartura de nada. Não havia choque. Não havia encantamento. Não havia frenesi ou urgência. Só quietude e vazio.
Então, ela abriu a porta para aquele espaço que retinha e guardava coisas velhas. Fatos. Histórias. Memórias. E era como se um mundo novo se abrisse.
A linha reta, que na medicina indicava o fim de tudo, de repente, começou a oscilar. Altos e baixos ditavam o ritmo novamente. Havia vida. Havia paixão.
Ela não soube dizer como começou.
Onde teria tropeçado naquele fio desencapado dentro da poça de água?
Onde aconteceu o choque?
Não sabia. Sabia apenas que recebeu descarga suficiente para voltar a pulsar outra vez.
Encantava-se com o bom trato com as palavras e a lapidação despretensiosa que trazia novos sentidos e novas significações. Imaginava aquela língua que sorvia o verbete, lambendo seu corpo. Ansiava pela destreza com a qual ele contava histórias se manifestasse no modo como a mão deslizaria por seu corpo nu.
O ritmo.
O som.
Os ruídos.
A luz acesa e o fim da história!
Em 14/05/2015 lambendo as palavras enquanto espera.
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