quinta-feira, 14 de maio de 2015

Lambendo as palavras espero...

Era tudo seco. E era tudo folha em branco. E era daquela tristeza não da vida dura e pobre, mas daquela onde havia excesso de falta, fartura de nada. Não havia choque. Não havia encantamento. Não havia frenesi ou urgência. Só quietude e vazio.

Então, ela abriu a porta para aquele espaço que retinha e guardava coisas velhas. Fatos. Histórias. Memórias. E era como se um mundo novo se abrisse.

A linha reta, que na medicina indicava o fim de tudo, de repente, começou  a oscilar. Altos e baixos ditavam o ritmo novamente. Havia vida. Havia paixão.

Ela não soube dizer como começou.

Onde teria tropeçado naquele fio desencapado dentro da poça de água?

Onde aconteceu o choque?

Não sabia. Sabia apenas que recebeu descarga suficiente para voltar a pulsar outra vez.

Encantava-se com o bom trato com as palavras e a lapidação despretensiosa que trazia novos sentidos e novas significações. Imaginava aquela língua que sorvia o verbete, lambendo seu corpo. Ansiava pela destreza com a qual ele contava histórias se manifestasse no modo como a mão deslizaria por seu corpo nu.

O ritmo.

O som.

Os ruídos.

A luz acesa e o fim da história!


Em 14/05/2015 lambendo as palavras enquanto espera.

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