terça-feira, 24 de março de 2015

Meu ano de Fênix

A essa hora, no ano passado, enquanto a enfermeira contava meu dinheiro e levantava meus bens, eu tentava subverter o monitoramento que contava meus sinais vitais. Eu odiava estar presa e estava na CTI do hospital sem saber, ao certo, o que aconteceria comigo.

Depois disso - uma semana no hospital - eu nasci de novo.

E nasci uma nova Cássia. Pelo menos na minha cabeça eu sou uma nova Cássia.

Olha, o Cazuza escreveu que "eu vi a cara da morte e ela estava viva". E é bem isso. Ainda parece uma viagem muito louca. Eu não perdi a consciência e sigo achando que o quando a gente morre o céu, o inferno ou o limbo ou nosso lar devem parecer com a viagem de ácido do Peter Jackson.

Além da sobrevivência, o renascimento trouxe também novos hábitos e novas maneiras. Um exercício diário de desprendimento. Reorganização.

Hoje eu só quero agradecer aos deuses do firmamento aos médicos que foram precisos no diagnóstico, à equipe hospitalar, aos meus familiares e amigos que seguraram essa barra que foi gostar de mim nesse ano.

Olhando 2014 foi um ano cheio de coisas. Desafios que superei. Arestas que aparei. Enfim, 2014 foi um ano super cheio e por isso eu também agradeço, apesar da perda da minha querida vó Cecília.

Porque eu nasci de novo, hoje é meu aniversário e eu mereço bolo.

Em 24 de março de 2015, com o peito cheio de amores vãos.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Sobre honestidade, distância e sentir saudade

Parece  que eu perdi o juízo.

Perdi o juízo, a sensatez e a razão que até então tinham sido o meu norte.

E me deram de presente uma  postura objetiva, quase cirúrgica.

Mas, aí, acontece do não ter.

Acontece os termos que foram acordados e concordados em espaços binários. No mundo analógico tivessem acontecido, viriam acompanhados de assinaturas, carimbos e fios de bigodes para mostrar – a despeito da depilação – que somos pessoas de palavras.

De tão objetivos não trouxeram dor.

Mas trouxeram a distância e o silêncio.

E eles se parecem com aquela dorzinha chata de cabeça que acaba pedindo uma xícara de café a mais e um analgésico que estava perdido dentro da bolsa.

É que a distância e o silêncio são chatos como dor de cabeça. E incomodam.

Mas, ao mesmo tempo, são as únicas coisas possíveis. Distância e silêncio.

Eu sonho com a telepatia e poder dizer coisas sem ter que, necessariamente, verbalizá-las.

E eu sonho com a telepatia para que as notificações mudem de cor e você, finalmente, faça contato e diga sem medo que sente saudades.

Porque eu também sinto.


Eu também sinto, mas me agarro na distância e no silêncio porque escolhi juízo, sensatez e razão. 

Em 19/03/2015 lembrando que eu aprendi dizer adeus.