quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sobre o tempo e aquilo que fica...


Todos os dias pela manhã, o palco das maiores disputas esportivas do país era espectador da história que vou contar. Não sei se, as centenas de pessoas que por ali passavam cronometrando o tempo da vida, percebiam aquele encontro. Tivesses olhos e boca, certamente o estádio diria a vocês que ele compunha o grupo de pessoas que se exercitavam. Por outro lado, ela exercitava a gentileza, oferecendo  uma xícara de café. Nos dias de sol, ficavam os dois, sentados, admirando o ir e vir de carros e pessoas. Recebiam a luz solar, responsável por ajudar a fixar o cálcio dos ossos desgastados pelo tempo.

Sorriam.

Se abraçavam.

Se separavam e seguiam os dois, caminhos opostos para as próprias vidas.

Todos os dias, eles faziam tudo exatamente igual. Caminhada, café, sol, abraço e despedida. 

Um dia, a caminhada ficou pesada e o espaço sob o sol ficou tão grande que não abrigou a tristeza que  ausência definitiva do café e do traballho causaram.

Há quem diga que, se o estádio tivesse olhos e boca, todos saberiam que ele ainda se abriga sob o sol, embora ela não venha nunca mais.

Em 13 de abril de 2017, contemplando o tempo e espantando a saudade. 

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