terça-feira, 15 de novembro de 2016

Carta para o nosso desaniversário...

Dessa história toda só sobrou a foto da janela com a tela bem no meio. Você não deve ter visto quando eu tirei, absorto na rotina que estava.

Acho que simboliza bem todos os horizontes que tinham sido abertos de tantas maneiras e em tantas direções que esta talvez seja uma das maiores razões pelas quais eu sou grata pelo fato de você ter existido em minha vida.

Hoje, um ano depois de tudo ter acontecido, eu ainda sinto as tais borboletas na barriga. E é só a expressão borboletas na barriga que consigo buscar para descrever aqueles sentimentos que, lamento, ainda habitam em mim.

Seguimos não sabendo de que forma vamos modificar a vida das pessoas. A gente não faz ideia. E, tenho certeza, você não sabe como impactou a minha. Era maio e o tempo começava a querer fazer a cidade mais gelada do que o habitual. Eu jamais vou esquecer a camisa verde que combinava intensamente com a cor dos seus olhos.

Jamais vou esquecer todas as frases belas anotadas no caderno porque sou dada a palavras belas e grifos e  notas. A gente não faz ideia como vai impactar a vida das pessoas e o dia que eu te conheci a minha se alterou drasticamente de um modo delicadamente intenso. Eu perdi o rumo. Eu não consegui raciocinar. Eu me perdi porque me achei.

Você me inspirou de tantas maneiras. Você me devolveu a magia e me lembrou que a vida é bela e cheia de simplicidade. Você me devolveu o frescor juvenil. E, eu dada a sonhos e narrativas, pude cultivar sonhos e narrativas de novo. Você me trouxe respostas para muitas perguntas que eu sequer poderia imaginar que me incomodavam.

E você é feito de azul e calma. Diz tanta coisa, com tanta profundidade que até parece o mar. Você me lembra o mar porque, em alguns momentos, pode ser uma explosão e você explodiu tantas vezes, e eu explodi tantas vezes de alegria porque eu contemplava esse oceano.

Eu passeei com aquelas borboletas. Elas me preparavam para o flutuar que seria o estar ao seu lado. Eu flutuei, mas também me paralisei porque, em nenhum roteiro, você estaria comigo de verdade. Era impossível, impensável para a grande colecionadora de desilusões encontrar-se justamente com aquele que amava as palavras e as histórias e as acariciavas em outra plataforma para que ganhassem uma nova vida.

E você veio. E você ficou e eu fiquei tão feliz que me paralisei. Eu queria ter sido mais jovial, mais leve, mais solta só que preciso de tempo e talvez precisasse de mais para poder lidar com a incredualidade de ter ao meu lado tudo o que eu sonhei para mim.

Hoje seria nosso aniversário. Mas a vida encarregou-me de mostrar que é mais realidade do que sonho. E você se foi naquele lote grande de tristezas que me foram reservados para um mesmo dia.

Eu choro enquanto escrevo isso. As borboletas se foram e ficou só o vazio. E eu que passei tanto tempo sem sentir nada, queria sentir tudo novamente. Sentir é como estar viva de novo de um jeito bom.

Neste nosso desaniversário eu estou triste, mas também estou grata. Você fez parte da minha vida de um jeito que eu jamais pude imaginar que faria. Você está impregnado em meu corpo de um jeito que é como se tivessem alterado meu DNA. Eu sou grata por ter voltado a sonhar e ter querido abandonar a rigidez que é boa mas que, em excesso, impede que a gente voe, que a gente sonhe...

Você mora mesmo é no meu olhar porque, depois de você, eu nunca mais vi o mundo da mesma forma.

Em 15/11/2016 com a cabeça doida e o coração na mão...

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