domingo, 13 de novembro de 2016

Quando tudo é silêncio...

Ela tinha aprendido a esperar.

Ansiedade já não lhe atropelava e nem lhe roubava o sono.

Apreciava tanto o silêncio, quanto o excesso das palavras.

Tinha vivido o tempo das coisas certas. Que virou pausas certas e, então, o silêncio absoluto.

Agora, equilibrava-se entre livros e saudades daquelas coisas que não poderia dizer mais.

Acostumou-se.

Acostumou-se com a ausência do mesmo modo que havia se acostumado com a presença serenamente engraçada.

Segurava a saudade como quem equilibra uma pilha de livros que, por algum descuido, se espalhavam vez ou outra.

E tinha também os dias de vazio. Esses eram os piores.

Ela queria enfiar a mão no peito e não arrancar nada. Ela queria enfiar as duas mãos no peito para ver se era preenchido de alguma maneira por algum tempo.

Queria chorar. Faltava-lhe lágrimas.


Em 13/11/2016 observando a chuva cair, acreditando ser um recado do universo.

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