Ela tinha aprendido a esperar.
Ansiedade já não lhe atropelava e nem lhe roubava o sono.
Apreciava tanto o silêncio, quanto o excesso das palavras.
Tinha vivido o tempo das coisas certas. Que virou pausas certas e, então, o silêncio absoluto.
Agora, equilibrava-se entre livros e saudades daquelas coisas que não poderia dizer mais.
Acostumou-se.
Acostumou-se com a ausência do mesmo modo que havia se acostumado com a presença serenamente engraçada.
Segurava a saudade como quem equilibra uma pilha de livros que, por algum descuido, se espalhavam vez ou outra.
E tinha também os dias de vazio. Esses eram os piores.
Ela queria enfiar a mão no peito e não arrancar nada. Ela queria enfiar as duas mãos no peito para ver se era preenchido de alguma maneira por algum tempo.
Queria chorar. Faltava-lhe lágrimas.
Em 13/11/2016 observando a chuva cair, acreditando ser um recado do universo.
Texto cheio de visagens do mundo dos sentidos
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