A vida é sopro.
Penso nisso e vento bate na cara, bagunça o cabelo ainda
molhado e com cheiro de banho, shampoo e creme.
A vida é sopro.
E tudo acontece e termina como um tilintar que do sino de
vento que não deixa a gente esquecer que não há espaço para a imobilidade.
A vida é sopro até quando termina.
Eu vi isso em um filme ontem. E como é vento e move, a gente
tentar deixar marcas e não nos fazer invisíveis.
Eu vi isso no filme ontem. O personagem falava sobre
invisibilidade. Já estive invisível. E ainda, por alguns instantes, permaneço
invisível. Dói. Dói porque a vida é sopro. E ser invisível é estar imóvel, como
aquelas tardes quentes cujo ar não circula. Ser invisível implica em não deixar
marca, qualquer uma, na existência e é isso que a gente tenta desesperadamente
para não ser esquecido.
Porque a vida é sopro e um dia esse sopro apaga a vida.
Em 1º/12/2014, segurando o cabelo que o vento que sopra
insiste em emaranhar.
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